Transpire Alma » Blog Archive » Bandeirante
     
 

Bandeirante


julho 07, 2009 Por Marcy

“Como o sol, a loucura tem sua órbita”
Shakespeare


Numa manhã de janeiro de 2001 Marcy foi para o trabalho de bicicleta. Ao passar pela rua cujo nome homenageia um bandeirante ela notou que o imóvel, onde havia trabalhado por três anos, estava aberto, e mais uma vez se perguntou por que teve que aguentar a convivencia com um péssimo sócio naquele local.

No exato momento da indagação ela teve a sensação de ter sido um bandeirante.


Marcy prosseguiu até o local de seu novo trabalho e ao termino da jornada, ao retornar passando novamente pelas ruas daquele bairro, cujos nomes são homenagens aos bandeirantes, ela se lembrou que de fato já fôra bandeirante no passado pois quando criança havia frequentado um grupo similar ao escotismo denominado bandeirante. Sentindo essa lembrança como uma possivel confirmação de um passado bandeirante relativo a vida pregressa, Marcy achou que sua diferença com aquele sócio inconveniente poderia ter sido proveniente daquela época.

E mesmo achando que as adversidades com um mero sócio não justificavam associações tão longinquas pois já era suficiente para ela ter se distanciado dele, Marcy se surpreendeu orbitando essa suposta e insistente “loucura”, mas após algumas pedaladas que a distanciaram daquele bairro tal indagação saiu de sua cabeça tanto quanto a indignação com relação ao sócio, e quando ela chegou em casa já havia esquecido o tema.

À noite Marcy foi ler uma revista que seu marido havia comprado alguns meses antes e que ela, por falta de tempo, ainda não havia lido. Pois não é que ela abriu a revista numa pagina cuja matéria era dedicada justamente aos bandeirantes !?!?! Marcy experimentou um tremor interno… Teria sido apenas uma coincidência ? Não podia ser. No mesmo dia ? Marcy achou que se tratava de uma confirmação, de uma sincronicidade e foi lendo avidamente todo o artigo até que o texto chegou na descrição histórica acerca das monções, as expedições fluviais às missões, e ela então se lembrou, de forma impactante, que ao chegar a esta existência foi morar numa rua chamada monções, posteriormente foi morar no bairro das monções, e quando se mudou para são paulo foi residir no bairro cidade monções. Curioso, não ? Coincidência ainda ? Trajetória ? Resquícios ? Meio para avivar a memória?

Mistérios…

Posteriormente Marcy morou próxima à avenida dos Bandeirantes e passou a trabalhar num bairro cujos nomes de ruas homenageiam os bandeirantes…. Alias, perto havia uma estátua enorme, de gosto duvidoso, de um bandeirante, a qual não se sabe se em homenagem aos corajosos desbravadores ou aos assassinos de indios. Você leitor que escolha se quer a versão dos “vencedores” ou dos “perdedores”.

Marcy prefere ficar tão somente com a sua aversão àquele sócio…


1 Comentário to Bandeirante

oswaldo santucci
8 de julho de 2009

Marcy

Gosto muito do seu jeito de escrever e relatar tudo que se passa . Tudo é intenso e leve ao mesmo tempo. E a razão de tudo ser assim é a forma.

Deixe um comentário